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Roberto Dias diz que negou cargo a irmão de deputado Luis Miranda

Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, foi o responsável por levar denúncias até seu parente parlamentar

Roberto Dias diz que negou cargo a irmão de deputado Luis Miranda
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Segundo Dias, essa recusa poderia ter levado os irmãos Miranda a denunciá-lo no suposto esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin.

“Confesso que neguei um pedido de cargo para seu irmão servidor. E por um momento pensei que pudesse ser uma retaliação. E confesso que sempre achei desproporcional demais. Mas agora, o que se deslinda, é a possibilidade de ter ocorrido uma frustração no campo econômico também.”

O ex-diretor da Saúde também levantou suspeitas sobre a relação do deputado Luis Miranda com Dominguetti e Cristiano, dono da empresa que supostamente venderia vacinas ao poder público.

“O deputado mentiu, fazia negócios na área da saúde, diferentemente do que alegou. conforme demonstrado, possuía contato direto ou indireto com o senhor Cristiano desde pelo menos 15 de setembro de 2020.”

Leia o a íntegra do discurso inicial de Roberto Dias

“Estou sendo acusados sem provas por dois cidadãos.

O senhor [Luis Carlos] Dominguetti, que aqui nessa CPI foi constatado ser um picareta que tentava aplicar golpes em prefeituras e no Ministério da Saúde, durante a audiência deu mais uma prova de sua desonestidade, mostrando não ser merecedor de nenhum crédito por parte desta Casa.

O nobre deputado federal Luis Miranda, conforme notícias relatam, possui um currículo controverso que me abstenho de citar e é de domínio público. Causa estranheza que tais eventos, que aparentemente não possuíam nenhuma correlação, comecem a se interligar conforme os fatos que seguem.

Em áudio divulgado durante a CPI, onde da mesma forma mentirosa como tem agido em relação a esse caso, o senhor Dominguetti tentou atribuir conversa que se tratava, aparentemente, de comércio de luvas à comercialização de vacinas ao eminente deputado.

Na tentativa de refutar essa acusação, o deputado registrou uma ata notarial da conversa, que teve como origem o áudio exibido na CPI. Ao longo da transcrição constatamos alguns fatos. O deputado disse que não comercializava produtos para a saúde.

Negou, sob o compromisso de não mentir na CPI, ter negócios nesse ramo. Mentiu. Pois conforme a ata notarial retrata, em que pese o diálogo não ser sobre vacinas, era sobre produtos para a saúde. Luvas e EPI, amplamente comercializados durante a pandemia.

Seu interlocutor que figura na ata como ‘Rafael Alves luvas’, se identifica como da equipe do Cristiano. E figurou em cópia de mensagens de e-mails entre o senhor Cristiano e o Ministério da Saúde.

O deputado mentiu, fazia negócios na área da saúde, diferentemente do que alegou. conforme demonstrado, possuía contato direto ou indireto com o senhor Cristiano desde pelo menos 15 de setembro de 2020.

Estranho depreender que todas as falsas e fantasiosas acusações, de alguma forma, se ligam ao deputado Luis Miranda. A primeira em virtude da lotação funcional do seu irmão, que o subsidiou equivocadamente com documentos, invoices, que provocaram uma grande confusão.

A segunda, tão sem pé nem cabeça quanto a primeira, acidentalmente mostrou existir vínculo comercial entre o senhor Cristiano e o deputado Luis Miranda.

A terceira: o senhor Cristiano ligou para o senhor Dominguetti, juntamente com uma repórter da Folha, para que este último contasse toda essa estória fantasiosa. 

A grande verdade é que estou sendo vítimas de ataque à minha honra e integridade por duas pessoas desqualificadas sem que nada tenha sido provado e nem será. Só se pode provar aquilo que é feito. E como nunca fiz, nunca será provado.

A pergunta mais importante que fica: Teria eu atrapalhado algum negócio do ilustre deputado? Quem é Cristiano? Qual o interesse em me prejudicar? Por que só depois de 3 a 4 meses aparecem tais fantasiosos eventos referentes à minha pessoa? Até o momento noticiava-se que o deputado teria sido preterido em expectativas políticas que almejava? Teria então tido pretensões negociais e econômicas frustradas também?

Confesso que neguei um pedido de cargo para seu irmão servidor. E por um momento pensei que pudesse ser uma retaliação. E confesso que sempre achei desproporcional demais. Mas agora, o que se deslinda, é a possibilidade de ter ocorrido uma frustração no campo econômico também”


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